Alguns ecossistemas de inovação surgem de forma espontânea. Outros são construídos de forma induzida. Mas, independentemente de como um ecossistema de inovação se desenvolve, ele pode ser impulsionado com o apoio de Hubs de inovação, como o Distrito, parceiro da Haze Shift.

Os hubs surgiram como locais físicos para fomentar conexões entre empreendedores, startups, grandes empresas, executivos e investidores. Mas agora precisaram se reinventar com a pandemia.

Eleito o melhor hub de inovação do Brasil pelo Startup Awards 2020, o Distrito certamente conseguiu ter sucesso em um período em que as empresas migraram para o trabalho remoto. Além de manter seus quatro hubs físicos (três em São Paulo e um em Curitiba), a empresa lançou uma plataforma capaz de conectar com sucesso todos os atores do ecossistema de inovação.

Head de Corporate Success do Distrito, Gustavo Comeli fez parte dessa revolução, e também foi personagem ativo na construção de um dos maiores ecossistemas de inovação do Brasil: o de Curitiba. Nesta entrevista, ele traz detalhes de como acontece o desenvolvimento de ecossistema de inovação e como hubs podem acelerar startups e empreendedores para o sucesso.

Confira a entrevista exclusiva com Gustavo Comeli, do Distrito, hub de inovação para Haze Shift

Gustavo Comeli, Head de Corporate Success do Distrito

Equipe Haze Shift – Como podemos definir um ecossistema de inovação?

Gustavo Comeli – É um conjunto de diversos atores que lidam com o tema inovação, e interagem, colaboram ou fazem negócios entre si. Por meio de inovação e tecnologia, eles geram desenvolvimento econômico e social para uma região ou território ou estado ou país. Geralmente esse ecossistema é composto por universidades, por atores de fomento como Sistema S, e tem participação – às vezes mais ativa, às vezes menos – de governos. Além disso, obviamente ele é composto por prestadores de serviços que orbitam em torno do empreendedor, que tem uma série de necessidades para crescer e desenvolver sua empresa. É por isso que essa associação de ecossistema tem a ver com a origem de um ecossistema natural, biológico, em que todos os atores são interdependentes, em maior ou menor grau. Então, é todo esse arranjo em torno do empreendedorismo, lidando com a inovação, e para geração de negócios e desenvolvimento social.

Poderia dar alguns exemplos de como surgiram alguns ecossistemas de inovação?  

O ecossistema de inovação curitibano, por exemplo, passou a ser organizado basicamente em 2015. Eu lembro que existiam algumas iniciativas anteriores, mas como ecossistema realmente contando com a colaboração entre todos, ele passou a se organizar melhor em 2015. Nessa época eu estava no Sebrae liderando um projeto para a criação da Lei de Inovação. E precisávamos da articulação de um ecossistema em prol desse um objetivo comum. A lei demorou três anos para ficar de pé, ser promulgada, mas é resultado de uma iniciativa articulada.

Existem lugares em que você vê o nascimento de um ecossistema a partir de uma universidade. Em Florianópolis, isso aconteceu a partir da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que partiu de novos negócios que surgiram dentro da universidade, e isso começou a se expandir com a criação de uma incubadora há mais de 30 anos. Em torno disso, a iniciativa começou a atrair os olhos de empreendedores e investidores.

Existe também o Porto Digital no Recife, que foi mais induzido. Com a evasão de alunos egressos das universidades indo para outros grandes centros, existia a falta da mão de obra [qualificada], o que levou a uma mobilização ampla para se criar um ambiente mais favorável para reter os talentos na cidade.

Então, vemos que tudo depende da natureza do ecossistema, e a partir de onde ele se cria, qual DNA ele tem. Seja um ecossistema para reter talentos, ou para desenvolver novos negócios em uma ilha que tem uma série de restrições de implantação de indústrias, por conta de seus aspectos físicos e naturais. Esse foi o caso em Florianópolis, onde se criou uma camada de serviços de alto valor agregado.

E aí nem precisamos citar os grandes casos mais conhecidos, mas vamos lá. O Vale do Silício onde então as grandes corporações tech, e tudo aconteceu especialmente com as fábricas de microeletrônicos. E Israel, que tem um ecossistema muito forte, que surgiu a partir da necessidade de defesa.  

Legal, vamos pegar uma cidade como exemplo. Em Curitiba, especificamente, como foi esse desenvolvimento do ecossistema?

Curitiba se destaca muito porque tem o DNA de uma cidade moderna, sustentável, com parâmetros acima da média nacional, sendo sempre uma capital inovadora e protagonista.  

O ecossistema paranaense tem uma base forte nas empresas de TI. Toda grande regional do Paraná tem um APL (arranjo produtivo local) de software, que surgiu como uma iniciativa do governo na metade dos anos 2000, quando empresas de TI junto com o Sebrae montaram núcleos regionais para fortalecer os pequenos negócios. E Curitiba também teve isso com o APL da capital.

Com o tempo, alguns temas e novas pessoas chegaram e vivenciamos o boom das startups, em torno de 2010. Então teve início a articulação de novas formas de empreender, seguindo o modelo de startups, e reunindo uma série de iniciativas.

Eu lembro que, em 2014, quando estava no Sebrae, eu assumi os projetos de TI com o objetivo de desenvolver algumas ações de inovação. Então, com essa base de TI, em conjunto com empresários e com os demais envolvidos no ecossistema de inovação, começamos a trazer outros atores para essa conversa, como universidades e grandes empresas.

Nesse período, já existia uma iniciativa para uma Lei de Inovação liderada por alguns outros vereadores, em parceria com o Sebrae. E eu tinha uma meta, que era um acordo para formatar esse apoio à uma nova Lei de Inovação. E claro que o maior esforço não é nem redigir uma lei, é a articulação política, e explicar o porquê ela é importante.

Para colocar isso em prática, tivemos uma iniciativa entre 2015 e 2016 em conjunto com as quatro principais universidades da cidade: a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Universidade Tecnológica Federal do Paraná, a Universidade Positivo (comprada posteriormente pela Universidade Cruzeiro do Sul) e a PUC-PR, que buscavam ações complementares. Os reitores queriam sinergia nas ações das quatro universidades. Então nos aproximamos dos reitores, e criamos um grupo de trabalho com professores especialistas dessas grandes universidades, com o Sistema S e com a Associação Comercial (ACP), para criarmos um programa de desenvolvimento de ambiente de negócios na cidade, pautado em políticas públicas.  

Esperamos o fim das eleições de 2016, que era um período de fim de mandato, para levar essa pauta do ecossistema de inovação adiante. No próprio Sebrae chegamos a apresentar para o novo prefeito uma pauta de diretrizes estratégicas para a cidade sobre como desenvolver o empreendedorismo e a inovação. Como a nova gestão municipal gostou da proposta, foi criado um grupo de políticas públicas para a inovação, articulada com os atores públicos. Claro que sempre existem dificuldades no meio do caminho, mas em 2018 a Lei foi aprovada.

Em paralelo a tudo isso, muitos eventos já estavam acontecendo no ecossistema de inovação, com muitos encontros promovidos pelo Vale do Pinhão, que inclusive foi um nome cunhado no arranjo produtivo de software. O conceito de startup em Curitiba estava muito aquecido, e a cidade fervilhava. E de lá para cá vemos a consolidação desse ecossistema de inovação.

Eu lembro, por exemplo que no final de 2015, a central de TI do HSBC saiu de Curitiba (o banco foi comprado pelo Bradesco no Brasil) e o município, se não me engano, perderia cerca de R$ 70 milhões por ano com impostos de ISS (Imposto Sobre Serviços, arrecadado pelas prefeituras. E com o boom das startups essa curva inverteu por conta da aposta em empreendedorismo e inovação, com o surgimento de novos negócios e serviços. Muitos empreendedores tiveram sucesso na jornada, como é o caso de startups como Ebanx, Pipefy, Olist, Contabilizei, e várias outras que não estão tão na mídia, mas geram emprego, renda e movimentam a economia da cidade.

Certo, e qual seria diferença de um ecossistema de inovação para um Hub de inovação? É quase a mesma coisa?

É diferente. O Hub é um dos atores, é um dos pilares do ecossistema de inovação. O Hub em si é uma plataforma onde pessoas e os negócios se conectam. O hub tem um papel de receber e distribuir conexões.

Inclusive, essa é a essência do termo hub, como um equipamento de infraestrutura de tecnologias, onde chegam os cabos de rede em uma central e distribui para você acessar outras coisas. Esse é o conceito essencial. Inclusive, existem vários espaços em Curitiba que não funcionam exatamente como um hub, mas que são locais onde as pessoas se encontram para conseguirem fazer mentorias, conexões e validar negócios. Alguns espaços que talvez não sejam Hubs, mas tinham um pouco dessa natureza, tinham muito mais cara de coworking e aceleradoras do que de um hub.

Eu digo isso porque o Distrito começou aqui em maio de 2018 e trouxe um ator novo para esse ecossistema, que foram as grandes empresas. Essa é uma iniciativa de inserção de grandes empresas no ecossistema de inovação, o que mudou muito a percepção do que é um espaço de conexões e de geração de negócios, com a chega de grupos como Rumo, Bosh, e Grupo Barigui para o ecossistema. Isso acabou atraindo muitos outros grupos também.

Como um hub, a gente sempre fala que é um lugar físico ou virtual que você vai encontrar conexões dentro da sua necessidade e que te fazem evoluir, independente do que você precisar. Seja uma ação próxima de um fundo de investimento vinculado, seja uma mentoria, seja para encontrar pessoas para gerar e validar negócios. Então essa realmente é a grande proposta de um hub.

Sobre o Distrito em si, como foi a criação desse negócio? Ele já nasceu com a proposta de ser um hub?

O Distrito começou em São Paulo, no bairro Jardins, onde fica o Hub de Marketing. Ele surgiu a partir de uma demanda de algumas empresas que precisavam conectar startups aos seus negócios. Ele começou com uma cara de coworking e foi evoluindo.

O que aconteceu em Curitiba foi um pouco diferente. Os líderes de inovação de algumas grandes empresas começaram um movimento e queriam fazer algo parecido com o que já estava acontecendo em São Paulo, com espaço de inovação onde as empresas pudessem encontrar as startups. Porém, isso tinha uma cara muito de grande empresa.

Eu sempre falo que tem muitos espaços de inovação que só entendem das startups, mesmo quando a startup quer conversar com a grande empresa. Então, o nosso espaço nasceu a partir de um olhar de grandes empresas. Como eram as próprias grandes empresas de Curitiba que queriam criar o espaço – como Rumo, Bosh e Barigui – e não tinham a expertise de tocar um negócio desse tipo, elas foram chamar um parceiro para fazer a gestão do espaço. E como eles tinham conhecido o Distrito em São Paulo, ocorreu o convite. O Distrito topou e desde 7 maio de 2018 opera esse Hub em Curitiba. Essa é a origem em Curitiba.

Em São Paulo a gente tem outro Hub com foco em fintechs, um outro específico de Saúde, além do original de Marketing.

Ou seja, vocês formam redes de empresas que ocupam os espaços de vocês. Mas como um Hub de inovação gera suas próprias receitas?

O Distrito tem dois braços. Um CNPJ de associação, que é o hub físico, que não visa lucro, mas sim um equilíbrio de resultados, que é pago basicamente pelo uso do espaço físico. Grandes empresas pagam mais e startups pagam menos para terem mesas e cadeiras à disposição, e esse modelo vale tanto para São Paulo quanto para Curitiba. O outro CNPJ é o de prestação de serviços, em que fazemos trabalhos de consultorias e de onde vêm a maior receita. É isso que separa um pouco as operações. E hoje também temos um Hub virtual. Mesmo antes da pandemia já tínhamos a ideia de oferecer uma plataforma.

Vocês tinham muitas equipes de empresas interagindo antes da pandemia. Como vocês foram impactados e quais soluções de inovação usaram para se reinventar?

Em março de 2020, quando começou a pandemia, nós tínhamos 110 startups em nossos hubs físicos. Hoje (junho de 2020) já batemos mais de 700 startups vinculadas, o que faz do Distrito o maior ecossistema de startups do Brasil. Esse é um resultado que veio a partir da digitalização. Eu sempre digo que quem vem trabalhar com a gente não tem só a cadeira, mas tudo que é necessário para startups. Apesar de não ser uma aceleradora, disponibilizamos acesso a recursos, a benefícios, a fundos, a mentorias, a treinamentos. Temos uma grande comunidade em torno disso, com uma plataforma que suporta todos esses quesitos. São mais de 3 mil pessoas nessa plataforma. Então, o Distrito cresceu muito como ecossistema também a partir dessas inovações.  

De onde partiu esse projeto que acabou fazendo o Distrito se reinventar na pandemia?  Ou vocês já tinham essa infraestrutura pronta para o Hub virtual?

Antes da pandemia a gente tinha apenas a ideia do Hub virtual. Assim como as demais empresas, a gente não esperava tudo o que aconteceu. Fizemos então um novo projeto, como faria uma startup, e subimos nossa nova plataforma tecnológica em junho (2020). Nós dependíamos muito dos espaços físicos, e fomos bastante impactados porque, apesar de nosso braço de consultoria sempre ter funcionado muito bem, eram os núcleos físicos que sustentavam boa parte do branding do Distrito. E também era no ambiente físico que a gente tangibilizava as ações de inovação entre startups e grandes empresas.

Então, obviamente fomos impactados, mas conseguimos virar [o jogo] rápido. Perdemos algumas startups entre março e junho, mas com a plataforma virtual conseguimos nos recuperar, e crescemos bastante. Até hoje o hub físico está comprometido por conta do abre-fecha, e até tudo se normalizar o ticket médio também cai, porque todos precisam negociar, e acabou acontecendo uma evasão. Porque, afinal, se as empresas encontraram seu meio de funcionamento no virtual não querem mais pagar aluguel.

Mas com o programa virtual conseguimos crescer. Entram, em média, 60 a 70 startups novas por mês. Isso tem promovido o equilíbrio da visão de Hub físico e virtual, e isso amortiza [o negócio]. E, claro, as consultorias e as conexões se dão com a demanda. Conforme as grandes empresas querem se conectar com startups, a gente faz essa intermediação de diversas maneiras.

O que vocês disponibilizam na plataforma que compõe o Hub Virtual?

O grande diferencial de um ecossistema de inovação é sua comunidade. A gente tinha uma comunidade física muito forte. Por exemplo, em Curitiba, das 300 cadeiras que a gente tinha, acontecia quase que um overbooking. Aconteciam vários eventos simultâneos, e essa comunidade era muito intensa. O Distrito virou um grande ponto focal de inovação na cidade. Então os meet hubs que a gente realizava fisicamente, as sessões de mentoria e as sessões conexões de negócio, tudo isso nós conseguimos levar para a plataforma.

Nela a gente tem, por exemplo, um chat e os grupos da comunidade, com mais de 3 mil pessoas participando diariamente. Temos também uma ferramenta de mentores. Isso, aliás, é um dos grandes desafios do ecossistema: ter um bom time de mentores e fazer isso funcionar bem. São mais de 100 mentores no Brasil inteiro. E, principalmente, eles estão conectados a grandes negócios.

Acontece também a oferta de benefícios. Quem entra hoje no Distrito tem cerca de R$ 1 milhão acumulados entre descontos, benefícios ou sessões simplesmente por estar no ecossistema. Por exemplo, quem entra no Distrito tem o direito de receber US$ 10 mil em serviços da AWS (Amazon) ou IBM. Com o dólar a R$ 5, isso significa R$ 50 mil. E para uma startup que está começando isso representa meses de salário de um desenvolvedor. Ele também tem desconto em plataformas e ferramentas, benefícios para funcionários. São mais de 150 empresas parceiras.

Também existe uma plataforma de conexão de negócios e eventos, com uma média de 25 a 30 eventos por mês, de diversos segmentos e assuntos, sobre inovação e empreendedorismo. São eventos com acesso gratuito, e uma coisa que [as startups] valorizam demais é a parte de eventos exclusivos, principalmente quando a gente traz fundos de investimentos para conversar com eles. E, óbvio, lá estão as grandes empresas que estão discutindo tudo isso e fazendo inovação.

Com mais de 700 CNPJs e mais de 3 mil pessoas, isso gera resultados que a gente nem consegue medir. O Hub é para isso. Cada um se beneficia conforme sua estratégia. Se você aproveitar bem o ecossistema, ele vai prover quase tudo que você precisa para se desenvolver enquanto empreendedor e enquanto negócio.

Entre as histórias e cases recentes, quais foram os resultados que mais surpreenderam?

Temos muitos cases. Temos, por exemplo, uma startup que virou nossa prestadora de Facilities praticamente nasceu no dentro do Distrito. Uma das grandes fintechs do Brasil, a Bcred também se desenvolveu no Distrito, e agora foi adquirida pela Creditas.

O Banco Bari, que é o banco digital do [Grupo] Barigui nasceu dentro do Distrito. A ideia foi lá (no Grupo Barigui), mas o time desenvolveu o produto a partir daqui.

Outro exemplo muito legal é da startup Growinco, de um empreendedor que tinha recém-saído da Mondelez. Sozinho, em janeiro de 2019, ele alugou uma cadeira para trabalhar e desenvolver uma nova ideia. Hoje ele tem uma plataforma que atua diretamente com o setor de compras de grandes empresas, e tem projetos com multinacionais, na Europa. Com 20 e poucos anos ele já está empregando mais de 30 pessoas. É um cara que sentou na cadeira literalmente sozinho e que, com todo o esforço dele, soube beber na fonte do ecossistema para se desenvolver.

Com a própria Haze Shift nós tivemos a oportunidade de ser a ponte para muitos contatos.

Então, já que tocou neste ponto, especificamente sobre a Haze Shift, como começou a parceria?

Essa é parceria que não existia ainda em nossa rede. Basicamente era parceria de CPF. Isso significa, independente de tudo, e da camisa que a gente veste, o ecossistema de inovação traz um vínculo entre as pessoas. Meu vínculo, por exemplo, era com o Leo Tostes, que virou meu amigo enquanto eu ainda estava no Sebrae. Quando o Léo passou a se dedicar à Haze Shift, conheci o Marcos Daniel. E no final de 2018, se não me engano, logo que eu entrei no Distrito, o Léo apareceu lá. Saímos para tomar um café e, como a Haze Shift estava crescendo muito, eles estavam em busca de um espaço. A partir daí a relação se fortaleceu bastante e, ao longo dessa jornada, a Haze Shift se tornou um ótimo case e soube gerar muito valor às relações de ecossistema. 

Agradecimento ao entrevistado

Nós da Haze Shift agradecemos ao Gustavo Comeli por conceder essa entrevista sobre ecossistemas de inovação sobre a história de um hub de inovação tão importante para o ecossistema nacional: o Distrito

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