Todo líder corporativo se sente realizado ao ver os resultados da inovação aparecerem. Nem todos sabem, contudo, que uma boa gestão da governança da inovação pode ser decisiva para isso. Afinal, empresas que governam a inovação extensivamente apresentam crescimento de receita duas vezes maior em comparação com aquelas que seguem uma abordagem de inovação aleatória. 

Isso é o que mostra o estudo da Accenture – Governing Innovation: The Recipe for Portfolio Growth, divulgado em 2020. O estudo foi realizado com 1.000 empresas de 15 países diferentes e 11 setores, incluindo companhias brasileiras.

Inclusive, fazer essa gestão de inovação é uma oportunidade para se diferenciar do mercado. De acordo com a pesquisa, menos de uma em cada oito empresas conta com ações sistêmicas de governança da inovação.

Direto ao ponto: clique conheça as capacidades necessárias governar a inovação

Para fazer uma governança da inovação extensiva é preciso mais. E  é aqui que você – seja um empresário, executivo ou líder empresarial – precisa ficar atento. Imagine que você tem o objetivo de dobrar as receitas que surgem dos projetos de inovação, ou reduzir pela metade um custo ou despesa operacional de um processo da sua empresa. Como fazer isso? 

Primeiramente, entenda o seguinte: a crença de que inovação é aquela força criativa que não pode ser administrada é um mito. Ao contrário, com a governança da inovação os resultados podem ter impactos financeiros significativos.

Mas se inovação e crescimento estão de mãos dadas, como transformar ideias em resultados reais?

Com governança. Em primeiro lugar, a governança da inovação começa com a construção de uma visão e de uma estratégia de desenvolvimento da inovação. Estes devem responder concretamente a “Por que inovar?”; “Onde inovar?”; “Quanto podemos investir em inovação?”. 

Responder essas perguntas é um ótimo passo para dar início à meta de dobrar receitas por meio dos projetos de inovação, ou de redução significativa de um custo ou despesa ou ainda para para dar início a busca por resultados reais na inovação. Mas não para por aí! Vamos agora ao próximo passo:

A governança da inovação também deve incentivar capacidades que aumentam a inovação, e não apenas as habilidades técnicas – conhecidas também como hard skills

Neste sentido, é preciso incentivar o desenvolvimento de habilidades sociocomportamentais, que estão, por sua vez, ligadas diretamente às aptidões mentais e à capacidade de lidar positivamente com fatores emocionais.

Dessa forma, podemos resumir em três os elementos principais da governança da inovação: 

  • A geração de valor das inovações;
  • O desenvolvimento de capacidades que vão além de hard skills;
  • A necessidade de orquestrar (potencializar) a execução da inovação.  

Isso nos dá uma boa base para reforçar que a Governança da Inovação tem o papel de servir, de dar agilidade, de ajudar e de promover as inovações e o comportamento inovador que as diversas pessoas, áreas e diretoria da sua empresa certamente já fazem. 

Mas agora eu quero ir além, falar mais sobre esses três elementos. 

Promover a geração de valor das inovações: Qual é a sua tese de Inovação?

É hora de seguir um passo a passo para dobrar suas receitas ou diminuir custos operacionais com inovação. Como? Primeiro de tudo, responda sinceramente a essas três perguntas: 

A tese de inovação deve conter as os possíveis benefícios que a empresa pode ter dentro de uma visão de mundo. Os tipos de projetos, temáticas, ideias ou negócios que vão surgir dependem disso. Confira:

  1. Quais são os temas estratégicos do seu negócio ou mesmo de sua diretoria, de seus departamentos ou de processos estratégicos da empresa? 
  2. Quais os temas estratégicos relacionados ao mercado e ao setor em que você está inserido?
  3. Nos próximos 3, 6 ou 10 anos para onde o mundo estará indo sob as perspectivas desses temas? 

É a partir daí que surgem as hipóteses de como a organização pode se beneficiar e tirar vantagens de possíveis inovações. Assim, será possível traçar objetivamente os tipos de projetos, ideias ou negócios que poderão ser desenvolvidos.

Perceba: ao responder essas perguntas você poderá ter foco em inovar onde realmente importa. Essa promoção da geração de valor ajudará na tomada de decisões que definem os recursos e as expectativas, como você vai medir a inovação, e, principalmente, o porquê inovar. Essa questão pode parecer complexa diante da clareza que o mundo está em constante transformação, mas é um exercício para se investir constantemente.

Este será o ponto de partida da governança da inovação, ou seja, a criação da sua tese de inovação. Ela é exposta de modo escrito, deve ser defendida publicamente e nortear as discussões sobre essa proposição.

E lembre-se também de elaborar os valores que vão sustentar as inovações de sua organização. Busque-os na cultura da sua empresa, modifique, demonstre e valorize esses valores. São eles que vão sustentar a jornada para inovação que as pessoas da sua empresa vão passar.

Governança da inovação: como desenvolver capacidades para inovar

Chegou a hora de entender quais capacidades você precisa desenvolver em sua empresa e suas equipes para garantir uma governança da inovação. 

Em que áreas ou em que processos de sua organização você precisa inserir a inovação como prioridade? O que e onde as pessoas do seu time precisam se desenvolver? Como podemos ajudá-los a ter mais capacidades de executar a inovação?

Você precisa mensurar o quanto de foco, intensidade e financiamento são necessários para implementar sua tese da inovação, que servirá de guia para entender quais capacidades são necessárias para inovar. Para isso ficar mais claro, eu apresento aqui alguns exemplos para que você possa refletir sobre suas ações. Algumas capacidades podem ser: 

  • Buscar fluência na Inovação Aberta com parcerias e cooperações;
  • Estabelecer a cultura da experimentação ao adotar novas tecnologias;
  • Treinar as habilidades de resolução de problemas por meio de estratégias vindas do design thinking e, também, do estabelecimento de cenários hipotéticos que possam antecipar riscos. 
  • Obter conhecimento atualizado do mercado, das fontes de captação e de fomento financeiro internas e externas da empresa. 
  • Ter empatia com o cliente, facilitar processos e aprender a trabalhar com cenários de alta incerteza e gestão de riscos. 

Nesse sentido, desenvolver competências comportamentais para o futuro do trabalho chamadas de soft skills pode ser um excelente caminho. Afinal, a cultura de inovação precisa que a colaboração e aceitação de riscos sejam parte do dia a dia das capacidades para inovar do seu time, área e empresa. 

Orquestrar a execução da inovação

Agora que você já aprendeu a elaborar sua tese de inovação, e sabe quais capacidades são necessárias para desenvolver em suas equipes, chegou o momento de orquestrar a execução dos projetos. 

Entenda o seguinte: a governança de inovação mantém um portfólio de inovações da organização. É preciso, portanto, ir à caça de inovações que já aconteceram para identificar melhores práticas! 

Para isso, busque relacionamento com todos os níveis da sua empresa e da sua área. Mapeie as iniciativas existentes e as relacione com sua tese de inovação. 

Vá a fundo: entenda quais capacidades os donos destas iniciativas precisam e fomente a criação de dezenas de outras. Assim será possível descrever de forma sistêmica o detalhamento de informações que envolvem desde o nível de maturidade das suas iniciativas existentes até o peso que os investimentos terão por horizonte de inovação. 

Lembre-se também que a governança da inovação não existe sem ideias, protótipos e experimentações. Toda empresa é um organismo vivo que possui inovações em curso, e é exatamente por isso que uma governança de inovação é necessária. Ademais, com certeza as inovações em curso já representam algum valor para a sua empresa.

Além de identificar as inovações, é importante que você crie uma rotina com os elementos discutidos neste texto. O que eu quero dizer com isso? Significa que é necessário pensar em iniciativas de inovação como potenciais negócios. Significa também que é necessário definir critérios claros para observar inovações desde a fase de concepção até a chegada a implantação em escala ou ao lançamento no mercado. Com isso, suas inovações terão objetivos mensuráveis para a tomada de  decisão sobre novos investimentos em cada uma das fases de execução.  

Vamos às dicas finais! 

Falta pouco para você chegar em seu objetivo em projetos de inovação, seja ele dobrar o seu faturamento ou reduzir/otimizar custos ou, ainda, começar a mensurar de forma prática dos resultados. Para garantir esse objetivo, vale o lembrete: a inovação não termina no lançamento, por exemplo, de um serviço ou produto no mercado. Lembre-se de medir  e acompanhar todos os estágios das suas iniciativas de inovação.

A contabilidade da inovação se baseia em métricas de diferentes níveis, para avaliar a contribuição dessas iniciativas para a empresa como um todo. Bons indicadores são derivados da estratégia e dos objetivos estratégicos da empresa, ou seja, o que ela espera da atividade de inovação. 

Para ajudar nessa mensuração de resultados durante a governança da inovação, confira alguns exemplos de indicadores:

  • Valor total do portfólio de inovação;
  • Valorização anual do portfólio de inovação;
  • Reduções de custos oriundas de inovações; 
  • Percentual das vendas investido com inovação; 
  • Retorno do investimento dos projetos de inovação; 
  • Receitas geradas com licenciamento de tecnologia.

E talvez um dos trabalhos mais importantes: comunique sua estratégia para toda a organização. Promova apresentações para seus stakeholders sobre governança da inovação. Garanta que todos tenham acesso às informações necessárias para entender a estratégia e para que façam parte como colaboradores de todo processo de inovação da sua área, diretoria e empresa.

Por fim, nós da Haze Shift queremos fazer um convite. Com a expertise que criamos em projetos de inovação aberta, e que mostramos em nossos casos de sucesso, que tal sentarmos juntos para realizar um diagnóstico das inovações de sua empresa e estabelecermos uma verdadeira governança de inovação? Vamos conversar!

* Referências sobre governança da inovação 

Accenture: GOVERNING INNOVATION The recipe for portfolio growth

What is Innovation Governance? – Definition and Scope

Escrito por:

Digital Transformation Leader & Co-Founder de Haze Shift

Certified facilitator of LEGO® SERIOUS PLAY® & Digital Transformation Enabler with a demonstrated history of working in the information technology and food & beverages industry.