No dia a dia aqui na empresa, nós da Haze Shift temos o hábito de conversar sobre o cenário internacional de áreas de atuação. Eu pessoalmente passo muito do meu tempo acompanhando autores. Um deles é o Jan Spruijt, da Holanda. Gosto muito como ele relaciona o pai da inovação aberta, Henry Chesbrough, com 33 rotas para as organizações colocarem esse tema em prática.   

Contando um pouco sobre o Jan Spruiit, ele é especialista em inovação aberta e referência na Europa e, em artigo publicado no portal Open Innovation, nos traz uma afirmação de Chesbrough: inovação aberta é “a combinação interna e externa de ideias e de caminhos (rotas) para o mercado promover e desenvolver novas tecnologias”. Nas 33 rotas, Spruiit destaca inovação aberta e Chesbrough.

Vamos deixar isso mais claro? O objetivo das 33 rotas da inovação aberta é ajudar a você ampliar as possibilidades de combinações com diferentes formas de fazer inovação em sua empresa ou organização.

Inovação aberta, Chesbrought e atividades de parceiros

Antes de citar os primeiros itens das 33 rotas para inovação aberta, Jan Spruiit lembra a necessidade de construção de uma rede de parceiros de alto valor para os negócios. Aqui reforçamos algo essencial sobre inovação aberta: Chesbrough lembra que ela conecta modelos de negócios e serviços, ambos de uma perspectiva estratégica. 

Pessoalmente, penso que a ideia de rotas é muito interessante. Cada rota pode se combinar a outras diversas outras, e aumentar a diversidade de estratégias utilizadas. Isso traz mais adaptabilidade aos negócios das empresas. Vejamos como isso funciona na prática a partir de atividades com parceiros:

Rota 1 – Licenciamento interno

Neste primeiro item, a ideia é trazer conhecimento externo, seja por meio de patentes ou tecnologias para garantir os processos de inovação da empresa. A ideia é aprovar (licenciar) e disseminar essas novas informações entre os colaboradores, e explicar como essas novas ideias – antes disponíveis no mercado externo – serão aplicadas dentro da organização.

Rota 2 – Co-patenteamento  

Refere-se ao processo de colaboração entre os autores de uma inovação (empresa e colaboradores externos) para o registro conjunto de uma patente que pode ser explorada futuramente.

Rota 3: Spin-off

Uma Spin-off é o lançamento de um produto ou negócio, a partir de uma empresa já existente. Não precisa, necessariamente, ser uma startup interna, mas também pode ser um subproduto ou um negócio dentro de uma organização que pode “bater asas e voar”. Uma spin-off pode ser criada por diversos motivos. Alguns deles podem ser: 

  • Criar uma cultura inovadora diferenciada da empresa “mãe”;
  • Atender outros mercados;
  • Crescer sem comprometer o negócio principal; 
  • Ter investidores ou o controle societário diferentes da empresa que originou esse novo negócio.

Um bom exemplo são os programas de milhagem das empresas aéreas, como o Smiles da Gol. Esse é um programa de fidelização, gerado dentro de um outro negócio (de aviação), em que pontos podem ser trocados por passagens aéreas ou mesmo produtos físicos. 

Rota 4: Inovação Colaborativa

A inovação colaborativa é um ramo da inovação aberta que busca a execução temporária de projetos de projetos de inovação aberta. Trata de trazer desafios reais de seus produtos e serviços para – em conjunto com outras pessoas internas e externas – buscar inovações que satisfaçam seus clientes. Como todo projeto, isso inclui um prazo determinado para ocorrer com o acompanhamento necessário.

Alguns exemplos são hackathons, ideathons, eventos de maratonas de resolução de problemas. Neste último caso, temos um exemplo: por meio da plataforma de inovação aberta TAIKAI, os Correios de Portugal desafiaram programadores de todo o mundo a criar um novo sistema de código de barras para as correspondências. Uma dupla brasileira foi a vencedora. Leia aqui a reportagem.  

Rota 5: Engenharia Colaborativa ou Co-engenharia

A engenharia colaborativa é um termo utilizado principalmente nas indústrias, com foco na colaboração entre dois ou mais parceiros, em todo o processo de desenvolvimento, como design, engenharia e produção, sendo realizado por equipes multidisciplinares e integradas.

Rota 6: Co-learning

Aqui é aplicada uma abordagem diferente para a inovação aberta. Trata-se  mais  da gestão do conhecimento e do desenvolvimento humano do que sobre produtos e serviços propriamente ditos. Co-learning significa algo como “aprendizado colaborativo”. Aqui vemos Comunidades de Aprendizagem. 

Neste sentido, são disponibilizadas plataformas de educação corporativa ou, ainda, é promovido o compartilhamento de conhecimento para gerar novas habilidades e competências nos três níveis da cadeia produtiva: operacional, tática e estratégica. O conhecimento adquirido volta para a empresa por meio da aplicação do aprendizado no empreendedorismo, intraempreendedorismo e nos processos de negócios.

Na Haze Shift temos exemplos de alguns projetos que usam dessa rota para gerar valor entre grandes empresas, universidades e estudantes. Veja abaixo: 

  • Inova-san: Programa de Inovação Aberta e Educação Empreendedora para a região do sul do estado do Rio de Janeiro
  • Renault Experience: Programa de aproximação com a comunidade universitária da Renault

Rota 7: Spin-out e Spin-in

A maior diferença entre spin-in e spin-out é quem é o dono da empresa. Em um spin-out, um funcionário tem uma ideia para uma inovação que poderia ser sua própria startup, sendo apresentada à empresa mãe.Se a empresa-mãe decidir criar a ideia, ela fornece os recursos e mantém o controle da propriedade sobre a inovação. Já a equipe de projeto que desenvolveu a inovação se torna a liderança operacional para a nova empresa “spin-out”.

Um exemplo de Spin-out é a Roku: fabricante de hardware para streaming. Ela foi fundada em outubro de 2002, por Anthony Wood. Em 2007, Wood foi nomeado como vice-presidente da Netflix. Com a chegada de Wood, no final de 2007, a Netflix tinha uma equipe e uma tecnologia com hardware próprio. Mas isso poderia dificultar as parcerias potenciais dos serviços de streaming da Netflix com outros fabricantes de hardware. Assim, o CEO da Netflix, Reed Hastings, decidiu eliminar o “Netflix Player, antigo Roku” e transformar a equipe em uma empresa separada. Sua decisão foi uma das jogadas mais arriscadas da história da Netflix.

Atualmente, a Roku é líder em participação de mercado no segmento de equipamentos de streaming nos lares dos Estados Unidos. Isso é um claro exemplo de spin-out. Saiba mais sobre essa história (em inglês).

Por outro lado, em uma empresa spin-in, a propriedade da inovação é da equipe que a criou. Eles pegam o conceito, o desenvolvem em uma startup e, se o negócio atender às expectativas da controladora, a controladora adquire a empresa incorporando-a ao portfólio.

Rota 8: Modelos de negócios baseados em inovação aberta

Nesta rota, o objetivo é ter um modelo de negócios que consiga se adaptar e explorar oportunidades de inovação aberta. Isso potencializa tanto soluções de inovação como redes de inovação. Por exemplo, alguns negócios podem ser desenvolvedores de soluções com o único propósito de registrar e vender uma propriedade intelectual. Normalmente esses tipos de negócios são chamados de mercantes. 

Rota 9: Licenciamento externo

Esta é uma das mais importantes estratégias de se trabalhar com a Inbound Open Innovation, sendo essencial para realizar os chamados spin-offs e spin-outs. O licenciamento externo explora a capacidade de obter reconhecimento externo por soluções desenvolvidas “dentro de casa”, trazendo a oportunidade de ampliar esse conhecimento a partir de novas ideias trazidas por equipes de “fora de casa”.

Rota 10: Co-design ou design compartilhado

Essa abordagem leva em conta o topo do funil de desenvolvimento de produtos ou novas soluções de mercado. Geralmente, une todos os parceiros envolvidos e também consumidores (seja por pesquisas ou outros meios de participação direta) para a criação de um design focado no ser humano. É um dos principais tópicos abordados no design thinking  e no design estratégico

Rota 11: Modelos de Negócios Abertos / Open Business Models

Open Business Models ou, em bom português, Modelos de Negócios Abertos levam em conta diferentes frentes da inovação aberta. O objetivo é criar soluções junto à rede de parceiros e stakeholders, sejam novas plataformas, novas soluções ou outros negócios. Esse processo de abertura do modelo de negócios também é chamado, muitas vezes, de Modelo de Inovação de Negócios.

Nós da Haze Shift desenvolvemos um projeto neste sentido junto com a BRF Ingredients, onde incentivamos a criação de novas ideias para a BRF, por meio colaboração entre fornecedores, parceiros, universidades e clientes. O resultado foi o “refresh” do pipeline de inovação de produtos da empresa e da sua estratégia de inovação.

Rota 12: Negócios Abertos ou Open Business

Importante: esse termo é completamente diferente da definição acima. Negócios Abertos se referem à abertura de dados e de informações ao público. Tudo é compartilhado publicamente. Está relacionado a desenvolvimentos de código aberto (open source), e sistemas gratuitos (freeware) disponíveis na rede, por exemplo.

Rota 13: Co-branding ou Co-criação de marca

Aqui a ideia é duas ou mais organizações se unirem para criar um efeito de sinergia de marcas. Pode ser até uma marca própria, por exemplo, com o objetivo de ganhar escala. Marcas de vários portes utilizam essa estratégia, mas é comum vermos grandes marcas realizarem essa estratégia com projetos especiais de alto valor.

Um exemplo dessa sinergia é a parceria entre GoPro e Red Bull, em que a empresa de tecnologia é a fornecedora exclusiva de imagens dos eventos da de bebidas. Outro exemplo foi promovido entre duas marcas de luxo: BMW e Louis Vuitton. A proposta foi criar bagagens da Louis Vuitton combinarem e se acoplarem ao interior do modelo BMWi8. Outro exemplo mais simples foi desenvolvido por uma parceria entre Starbucks e Spotify, em que clientes do streaming de músicas ganham bebidas gratuitas. 

Rota 14: Co-produção

Este é praticamente um sistema de co-engenharia, com uma exceção: a produção é apenas uma parte do processo de desenvolvimento. Ou seja, uma parte específica é co-produzida para reduzir custos ou ganhar escala.

Rota 15: Co-marketing ou marketing conjunto

Assim como co-branding, o co-marketing trata de uma sinergia entre marcas para divulgar e fortalecer produtos ou marcas específicas. Por exemplo, caso uma empresa lance um produto em conjunto com outra, ambas podem fazer a divulgação em suas redes sociais. Um exemplo é este carro de peças de Lego feito em parceria com a Volvo

Sistemas de inovação aberta  

Aqui também listamos as relações de parcerias por meio de sistemas de inovação aberta, ou seja, redes de conexões institucionais para favorecer ideias e trabalhos. Confira:  

Rota 16: Sistemas de inovação setoriais

Um sistema de inovação setorial faz parte do ambiente institucional como um todo. Ele é capaz tanto de acelerar a inovação de um determinado setor, quanto ampliar a empregabilidade, ou seja, amplia a capacidade de gerar empregos. Na Europa, por exemplo, os sistemas de inovação vêm auxiliando a criação de programas internacionais e nacionais sobre inovação aberta. 

No Brasil temos os arranjos produtivos locais, APLs, que fazem a integração de empresas localizadas em um mesmo território e especializadas em um setor específico. Elas mantêm vínculos de articulação, interação, cooperação e aprendizagem entre si e com outros atores locais, tais como: governo, associações empresariais, instituições de crédito, ensino e pesquisa. Um dos parceiros de negócios da Haze Shit, o Sebrae apoia APLs, confira neste link mais sobre o tema.Nesse mesmo contexto de sistemas de inovação setoriais, também vemos as comunidades de startups que possuem um papel fundamental no apoio e fomento, por exemplo. Ao falarmos de startups no Brasil, podemos afirmar que mais de 70% das startups estão concentradas nas 10 principais comunidades de startups.

Rota 17: Instalações, sistemas e recursos compartilhados

Uma rede de empresas pode compartilhar diversos recursos, seja a partir do compartilhamento de máquinas, laboratórios de pesquisas, de impressão ou mesmo espaços e de linhas de produção. Isso contribui fortemente para a inovação aberta, para o design estratégico (de produtos, por exemplo) e de ideias.  

Vamos exemplificar. Você já ouviu falar em Fab Labs? São exemplos de instalações com serviços compartilhados para a comunidade realizar a criação de soluções para problemas reais da indústria, podendo elaborar projetos desde a criação até a programação, e desenvolver protótipos. No ano passado tive o prazer de conhecer o FabLab da Firjan na cidade de Resende.

Rota 18: Sistemas regionais de inovação

Imagino que você esteja pensando que um sistema regional de inovação seja algo localizado em um local específico, por exemplo, uma cidade ou região de um estado. É isso mesmo! 

Aqui, no Brasil, o Sebrae-PR tem um amplo trabalho de fortalecer os Sistemas Regionais da Inovação (SRIs). Destaco aqui dois que trazem impacto e desenvolvimento para as regiões Oeste e Sudoeste do Paraná. São eles:

  • No Sudoeste do Paraná, por meio da união de municípios, universidades, empresas, e – claro – do Sebrae,  há o apoio para projetos, startups e ideias de base tecnológica. Saiba mais.
  • No Oeste do Paraná, programa Inova Oeste incentiva a interação de instituições regionais para executar ações e projetos de interesse local, como cooperativas agrícolas, atividades de inovação, entre outras. Veja detalhes.  

Rota 19: Sistemas nacionais de inovação

É a mesma coisa que um sistema regional de inovação, só que reproduzida em ambiente nacional.

Rota 20: Ecossistemas de Negócios

Há ecossistemas criados e gerenciados por empresas. Isso é o que chamamos de clusters: uma rede conjunta e conectada. Esses ambientes, geralmente, são criados por conta de oportunidades de desenvolvimento de negócios e colaboração observadas entre duas ou mais empresas, mas podem ser criados com o objetivo de favorecer a inovação aberta.

Nós da Haze Shift criamos e fomentamos uma rede de Inovadores Inquietos – que busca desenvolver a inovação nos seus mais diversos ambientes e promove troca de valor entre seus membros, empresas e cenários.

Rota 21: Laboratórios multidisciplinares

Em inglês, este item se chama fieldlabs, mas podemos traduzir por um espaço multidisciplinar de trabalho, onde designers, desenvolvedores, produtores de conteúdo e engenheiros trabalham em conjunto. Esses laboratórios multidisciplinares são geralmente institutos, universidades ou mesmo por empresas para criar e desenvolver novas ideias. São ideais para estudantes trabalharem em parceria com profissionais e criarem novos produtos. 

Em Curitiba, por exemplo, foi criado o Renault Lab dentro de um centro universitário, em que é simulada uma linha de produção e que incentiva o contato com estudantes de graduação e pósgraduação. 

Inovação aberta em serviços para o consumidor

Rota 22: Crowdsourcing 

Sabe aquele chavão “duas cabeças pensam melhor que uma”? Pois então, crowdsourcing significa convidar várias pessoas – sejam elas grupos de consumidores ou usuários ou mesmo profissionais de uma determinada área – para colaborar com opiniões, ideias e informações. O crowdsourcing é importante principalmente nos primeiros estágios de um processo de inovação, permitindo mudanças logo no início. 

Dependendo do seu objetivo, pode ter poucas ou milhares de pessoas colaborando e seguir aprimorando um negócio, como – por exemplo – uma plataforma de economia compartilhada, por exemplo, A rede de hospedagem compartilhada Airbnb criou algo nesse sentido ao promover um concurso de vídeos que mostram os melhores lugares das cidades onde há pessoas cadastradas na rede. 

Rota 23: Crowdfunding

Essa técnica já está, digamos, popularizada em muitos lugares, inclusive no Brasil. Vamos à mais comum definição de crowdfunding: financiamento coletivo, as tais vaquinhas virtuais. Aqui não estamos falando de buscar ideias, mas sim captar recursos para um projeto. O maior desafio do crowdfunding é justamente convencer consumidores ou usuários a apoiarem seu projeto.Exemplos não faltam. Apenas para citar um deles, confira o exemplo da Mutual, uma fintech de empréstimo pessoal que bateu o recorde de captação em rodada de crowdfunding com cerca de R$ 4 milhões.

Rota 24: Open Data

Open data significa dados abertos. E a abertura de dados pode ocorrer em algumas indústrias. O próprio Jan cita institucionais educacionais e públicas que trabalham dessa forma. Pode ser uma ferramenta de inovação aberta muito útil. Em tempos de pandemia de coronavírus, a colaboração de cientistas de diferentes laboratórios e empresas farmacêuticas ocorreu neste sentido. 

Veja, por exemplo, que a farmacêutica norte-americana Moderna divulgou que não iria restringir a patente de sua vacina em desenvolvimento contra a Covid-19 enquanto durasse a pandemia. Cito também uma ação do Serasa: o DatatLab, que abriu os seus dados e criou um radar coletivo para empreendedores entenderem melhor os desafios econômicos e sanitários da pandemia. 

Rota 25: Laboratórios de co-criação

Parece que voltamos à Rota 21, de laboratórios multidisciplinares, mas há uma diferença: laboratórios de co-criação contam com a participação do público geral, ou seja, de consumidores e não apenas profissionais que estão desenvolvendo uma ideia. Laboratórios de co-criação são altamente eficazes para obter feedback imediato sobre protótipos e ideias de branding (marca) e marketing.

Rota 26: Co-criação

Não é preciso ter um laboratório de co-criação para desenvolver ideias e atingir a inovação aberta. O constante contato de empresas com consumidores para testar e validar novas ideias auxilia a levar produtos novos ao mercado, o que significa co-criar. Melhor ainda: favorece o engajamento dos consumidores com a marca e os produtos.

Rota 27: Comunidades de consumidores

Aqui nos referimos a grupos de consumidores engajados com a marca. Geralmente, são voluntários e que tem interesse pessoal no melhor desenvolvimento de soluções. São, praticamente, “fãs-clube”. Jan Spruijt cita um ótimo exemplo: o de comunidades de fãs de Lego. Também existem comunidades de fãs do iPhone, por exemplo. Muitas vezes essas comunidades podem trazer ideias e soluções mais relevantes que um crowdsourcing, por exemplo. As iniciativas de embaixadores de marca, quase sempre, são comunidades que convertem clientes em embaixadores.

Rota 28: E-participação

Principalmente orientado a serviços públicos ou governamentais, busca obter feedback sobre serviços prestados para o cidadão. Também pode ser usado para captar colaborativamente respostas sobre questões das cidades e dos cidadãos. É considerado um meio eficaz para melhorar o desempenho dos serviços públicos, mas pode ir além, e também colaborativamente melhorar e criar serviços. 

Vamos a um exemplo? O primeiro referendo digital de todos os tempos ocorreu na na Bélgica, em outubro de 2019. A questão não era das mais polêmicas, mas muito válida para um teste de referendo virtual. Eles perguntaram aos cidadãos da cidade de Kortrijk se o centro deveria ficar sem carros por um domingo fixo todos os meses? Mais de 10.000 habitantes participaram, de uma cidade de aprox 75.000 habitantes. Leia mais (em inglês). 

Rota 29: Open Source 

Este item é parecido com open data, mas em linhas gerais open source significa Código Aberto, e é adotada por engenheiros de software para criar códigos livres. Não significa, contudo, que não existam interesses comerciais envolvidos, já que os códigos podem acabar por serem utilizados para explorar atividades para o público. 

Um exemplo disso é o WordPress.org. Esta é uma plataforma operada pela comunidade. Ou seja, ninguém é pago para contribuir com a plataforma. Ainda assim, existem centenas de colaboradores da plataforma que investem regularmente e contribuem para a melhoria da plataforma. Por que eles fazem isso? Eles vendem produtos e serviços relacionados ao WordPress e desejam que a comunidade atinja seu potencial máximo para aumentar seus lucros. 

Outro exemplo interessante é o que a Renault chama ser a primeira plataforma open source de veículos do mercado de massa do mundo. Com base no Twizy, a Renault desenvolveu o POM, uma plataforma automotiva de código aberto para a concepção de um veículo elétrico compacto, leve e com partes da carroceria removíveis. 

Com a estratégia de open source, a plataforma é disponibilizada para startups, laboratórios independentes, clientes privados e pesquisadores, copiarem e modificarem o hardware e software existentes para criar um veículo elétrico totalmente personalizável. Saiba mais aqui (em inglês).

Sistemas para consumidores 

Rota 30: Espaços de co-working

Neste início de milênio (sim, ainda estamos nos anos 20 do novo milênio), os espaços compartilhados, também conhecidos como co-working, ganharam força com o aumento do número de trabalhadores autônomos (como arquitetos) e freelancers (como publicitários). Com a multidisciplinaridade de profissionais em um mesmo espaço, nem preciso dizer que esse é o ambiente ideal para o surgimento de ideias de negócios e, claro, inovações.  

Rota 31: Inteligência coletiva

Essa rota é fundamental para o crowdsourcing, pois acredita-se que a inteligência coletiva sempre é superior à individual, mesmo quando estamos falando de “gênios” em suas respectivas áreas de expertise. É útil, certamente, para melhorar ideias. 

Rota 32: Cidades Inteligentes

Cada vez mais profissionais se dedicam à ideia de transformar municípios nas chamadas cidades inteligentes, ou seja, em uma sociedade altamente conectada para disponibilizar ao cidadão serviços online, rápidos e eficientes, seja de transporte, captação de energia ou simplesmente facilidade de atendimento em serviços para o cidadão.  

Rota 33: Engajamento do usuário

A última rota da inovação aberta tem destino certo: é focada no usuário final de produtos e serviços, buscando com que ele participe do processo criativo e de aperfeiçoamento. Essa rota exige, claro, pesquisa, mas sobretudo contato direto com o usuário. Portanto, mantenha contato, converse e aproveite ideias!

Nós da Haze Shift apostamos nessas rotas para colaborar com a inovação aberta em nossos projetos. Mas elas não terminam por aqui. A estrada da inovação aberta de Chesbrought é longa, mas cheia de atalhos. E aqui estamos nós: a disposição para ver qual é a melhor rota para cada cliente e abertos para conversar com startups, estudantes, empresários ou, simplesmente, pessoas interessadas. Vamos conversar?  

Escrito por:

Digital Transformation Leader & Co-Founder de Haze Shift | + posts

Certified facilitator of LEGO® SERIOUS PLAY® & Digital Transformation Enabler with a demonstrated history of working in the information technology and food & beverages industry.