Inovação é um processo organizável e gerenciável que deve ser transversal a toda a organização. Contudo, inovar não é responsabilidade somente da área de inovação e P&D. Ela deve ser vista como parte da cultura da organização. Afinal, ela acontece quando uma empresa precisa ser mais competitiva, evidenciar o diferencial da marca, criar novos produtos, serviços, processos e novos mercados de consumo. 

Um exemplo claro desse potencial está presente no relatório da Ambev do 2°trimestre de 2021: Por volta de 20% do faturamento vem de novos produtos com menos de três anos de existência.

Mas o que gera inovação? Podemos pontuar vários itens:  

  • Desde novos hábitos dos consumidores (como os de preocupação com a sustentabilidade) a novas demandas de classes sociais que passam a ter mais potencial de consumo; 
  • As novas tecnologias, o que inclui setores que ainda são novidades, como nanotecnologia e biotecnologia.
  • Intensificação da competição, globalização, logística e mudanças no ambiente de negócios (regulação, aprovação, regras e leis criadas pelo estado).

Diferença entre inovação e invenção

Nesse sentido, também vale esclarecer: a maior diferença entre invenção e inovação é que, enquanto a primeira passa pela construção de protótipo e patente; a segunda é algo, além de novo, gerenciável, organizável e comercializável. Ou seja, para ser inovação, precisa ser realizada uma transação financeira. Inclusive, existem diferentes tipos de inovação: incremental, radical e disruptiva.

Aqui mesmo no Blog da Haze Shift fizemos entrevistas em que alguns especialistas reforçaram as diferenças entre invenção e inovação:

“Inventar, na prática, é fazer alguma coisa que não existe. Inovar, na verdade, está atrelado a fazer negócios.”, explica Oscar Nunes, coordenador de Projetos Especiais do Cietec. Leia a entrevista.

“Inovação é gerar negócios. Não tem como pensar diferente, já que não existe inovação sem negócios. Inovação sem negócios é invenção”, completa Rodrigo Régis, diretor de Negócios e Inovação do Parque Tecnológico de Itaipu. Confira a entrevista.

E há excelentes motivos para apostar na inovação. Recentemente, em um curso de e Gestão da Inovação da USP, alguns dados me chamaram a atenção. Empresas que inovam têm o valor do produto 30% acima do mercado, salários maiores em 23%, ou seja, efeito positivo sobre faturamento e crescimento da firma.

Onde inovar

Ademais, inovar pode tanto fazer com que as empresas consigam chegar a novos métodos produtivos (inovação em processos) que ajudam na produtividade e na redução de custos como também oferecer diferenciais em produtos e serviços. Por isso, é importante lembrar que inovações podem ser em:

  • Produtos e serviços, seja com lançamentos inéditos no mercado ou aperfeiçoamento de ideias já existentes;
  • Modelos de negócios, quando por exemplo uma churrascaria tradicional disrupta seu próprio modelo e passa a vender carnes em contêineres, sendo um exemplo de pivotagem no modelo de negócios (esse, aliás, foi o caso da churrascaria KF em Curitiba);
  • Processos internos: na linha de produção de fábricas ou na desburocratização do acesso a informações e automatização de trabalhos manuais.  Ou seja, podem ser de processos de conceito de marketing a Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) ou maneiras de desenvolver produtos.  

E quanto aos tipos de inovação?

Superada a explicação sobre o que diferencia invenção de inovação, chegamos a outro ponto. Nós da Haze Shift trabalhamos diretamente com o conceito de inovação aberta, que aposta na cooperação entre organizações, pessoas, instituições de ensino, que buscam inovar em conjunto. Porém, tanto a aberta quanto a fechada estão atreladas a diferentes tipos de inovação:

  • Incremental: é a mais comum. Aqui as necessidades dos clientes são conhecidas por pesquisas de mercado, de custos e tecnologia. Evita-se mudanças bruscas.
  • Radical: é um tanto mais difícil de acontecer, mas se caracteriza pelo desenvolvimento de novos produtos ou são capazes de criar novos mercados e novas cadeias de valor, e se baseia não tanto em pesquisas, mas em percepções do movimento social e da tecnologia. Muitas vezes, seguem o modelo do design estratégico.
  • Disruptiva/Transformacional: inovações que mudam a base tecnológica ou de competitividade de uma indústria e vai, aos poucos, forçando a mudança de um serviço oferecido. Geralmente, são tecnologias que fazem a disrupção de um mercado.

Os resultados podem até ser medidos por métodos consagrados, como o chamado Retorno sobre Investimento (ROI), mas nós da Haze Shift também mostramos que é possível mensurar pela Innovation Accounting ou contabilidade da inovação.

Mas para este texto ficar um pouco menos teórico, e um pouco mais prático, confira alguns exemplos de tipos de inovação:

Exemplos de inovação incremental

Ano a ano novas versões de smartphones com alguma funcionalidade a mais, por exemplo. Ou uma câmera melhor, uma maior capacidade de armazenamento. Esses são exemplos de inovação incremental, uma vez que oferecem um plus, ou novos diferenciais aos clientes. Isso também ocorre, por exemplo, na indústria de automóveis, quando carros passam a dispor de itens de fábrica que antes não eram oferecidos, como sensores de movimentos.

Mas inovações incrementais também podem acontecer em processos internos de uma empresa. Um exemplo disso acontece quando as informações sobre a logística de determinados produtos passam a ser automatizada. 

Exemplos de inovação radical

Aqui temos um nome para você lembrar sempre que pensar nesse modelo: Steve Jobs. Até o início do novo milênio, as pessoas precisavam comprar álbuns de bandas completos mesmo que gostassem apenas de uma música.

Isso mudou no dia 23 de outubro de 2011 quando Apple lançou o primeiro iPod, que permitiu aos consumidores comprarem músicas em separado e ouvi-las em aparelho portátil. Foi assim que aconteceu a criação de um novo mercado: o de venda de músicas individuais em detrimento de álbuns, remunerando de forma mais justas os artistas e reduzindo a pirataria.  

Vamos para um exemplo ainda mais recente. Para muitos, os novos entregadores de pizza são os drones. Isso mesmo: além de já estarem sendo testados para diferentes modelos de entregas, a rede Dominos está fazendo o teste de entrega de pizzas em praias da Holanda. É uma maneira completamente distinta do processo de entrega, que cria uma nova forma de atender a demanda de consumidoras por pizza, radicalizando tanto quanto ao iPod, que encontrou uma nova forma de suprir a demanda de pessoas por música. 

Exemplos de inovação disruptiva ou transformacional 

Agora vamos para um exemplo nacional. Criado em Curitiba, o Ebanx deu uma oportunidade para clientes que não possuem cartão de crédito internacional para fazerem compras. Em uma inovação nos meios de pagamento, ele faz a mediação da transação, e permite ao cliente pagar por diferentes formas (até mesmo boleto). Foi uma forma de disruptar a indústria de meios de pagamento aproveitando um público pré-existente. 

E já que estamos falando de exemplos digitais, lembra da inovação radical de Steve Jobs com o iPod? Recentemente, ocorreu a disrupção desse modelo.

Com um público consumidor de músicas individualmente tanto por iPods quanto por aparelhos MP3 e também por celulares (já que é possível salvar músicas nos aparelhos), o Spotify percebeu a possibilidade de atender esse mercado oferecendo músicas com um serviço streaming por assinatura, em que sequer é preciso pagar individualmente por músicas: basta pagar uma mensalidade para ter acesso a um universo gigantesco de músicas e podcasts.   

Outro bom exemplo são os carros elétricos. E aqui uma marca de peso é a Tesla, líder desse mercado. Ainda veremos esse nicho decolar ainda mais, mas é evidente que existe um público reprimido de consumidores, ou melhor, de motoristas que gostariam de ter acesso a esse produto. Existe uma tendência futura de que mais pessoas poderão ter esse acesso, então é bom ficar de olho nesse exemplo de inovação disruptiva/transformacional, que está claramente conectado aos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, mais especificamente sobre produção responsável

Como aplicar esses exemplos de tipos de inovação

Como consultor de inovação, para mim fica claro que uma boa gestão da inovação, independente de seus tipos, depende de alguns fatores essenciais para manter as empresas vivas e continuamente inovadoras.

Esse planejamento envolve:

  • Prospecção de oportunidades: olhar para fora da empresa, buscando tendências e parcerias significa apostar na inovação aberta. Nós da Haze Shift somos especialistas nisso, desde a aproximação de empresas a startups até a realização de desafios de inovação aberta (entenda como funcionam). E olha que isso são seus apenas alguns exemplos.
  • Prospectar capacidades: olhar para dentro da empresa e observar o que pode gerar novos negócios e, inclusive, buscar a inovação disruptiva (ou mesmo radical) é sempre importante. É por isso que é sempre importante ter uma visão baseada nos próprios em recursos. Nós da Haze Shift apoiamos mensurar essas capacidades com projetos de Governança da Inovação e na definição de Teses de Inovação.

Agora é a sua vez!

Sinceramente espero ter ajudado você no contexto da diferença de invenção e tipos de inovação. Entretanto, é importante sempre destacar que inovar é algo que precisa ser algo contínuo. E é exatamente por isso que é preciso ter parceiros trazendo novos conhecimentos às organizações.

Em outras palavras, sua equipe precisa trabalhar com inovação aberta. Eu me coloco a disposição para conversarmos sobre isso e desenharmos uma boa forma de fazer sua organização inovar continuamente. Pense: vocês estão precisando renovar processos? Estão com dificuldades na execução ou lançamento de produtos ou serviços? Uma consultoria de inovação pode ser o que falta para seus projetos irem para frente.

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Referências

Bloga da Aevo

Curso de Gestão e Inovação da USP

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Designer estratégico, empreendedor, gestor de comunidades e com experiências em programas de pré-aceleração e aceleração. Sempre aberto a novos aprendizados e projetar novas soluções que agreguem valor ao negócio e à sociedade.